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Nascida de um projeto social, Escola do Mecânico comemora oito anos de operação com a missão de impactar a vida das pessoas

O sonho de Sandra Nalli era o de ensinar e empregar meninos que saíam da Fundação Casa, de Campinas (SP), dando a eles conhecimentos sobre mecânica de automóveis. Apenas oito anos depois, ela empreendeu num ramo onde os homens predominam, criou uma rede de franquias com uma missão social e já faz planos para 2025

*Por: Redação

É possível, para uma empresa, conciliar a missão de mudar a vida de pessoas, por meio da educação e da empregabilidade, ao mesmo tempo em que se expande, em tamanho e faturamento? A Escola do Mecânico, escola de formação profissional prática em mecânica de automóveis e motocicletas, prova que sim. Nascida há oito anos em Campinas (SP), a partir de um projeto social, a marca consolidou-se como um importante player, em seu segmento, sem deixar de escolher com quem trabalha ou seguir os princípios que norteiam sua história.

Para que se entenda melhor o diferencial da Escola do Mecânico, a marca surgiu a partir da experiência de Sandra Nalli no setor automotivo. Aos 14 anos de idade, a então Menor Aprendiz foi contratada por uma rede de centros automotivos de Campinas (SP), sua terra natal, e iniciou carreira neste segmento. Interessada e eficiente, aos 21 anos ela se candidatou a chefe de oficina, sendo recusada por seus superiores, a princípio, por ser mulher. “Eu não desisti, fiz um curso e consegui o cargo, mesmo sofrendo bastante preconceito”, lembra.

Pouco tempo depois, ela foi promovida a gerente da maior loja da mesma rede, sendo a primeira mulher a ocupar o cargo de líder de oficina. Nesta época, Sandra já desenvolvia trabalho voluntário com meninos da Fundação Casa, também em Campinas (SP), com capacitação teórica em mecânica. Sua intenção era a de fornecer a eles conhecimento suficiente para que saíssem da internação com vontade de estudar e ter uma profissão, já que não era possível, ali, oferecer-lhes cursos práticos. “Eu sempre soube que havia uma grande carência mercadológica, de profissionais técnicos, bem capacitados, porque eu mesma tinha dificuldade em encontrá-los. Assim, sonhava em oferecer conhecimento e oportunidade a esses meninos, porque uma profissão pode mudar a realidade de suas vidas. Eu os queria empregar”, recorda.

Com dificuldade, Sandra alugou uma sala no bairro do Botafogo, em Campinas, e pediu a um amigo grafiteiro que escrevesse, na parede externa: “Escola do Mecânico”. Era ali que ensinaria jovens carentes a ter uma profissão. Tamanha foi sua surpresa, entretanto, ao perceber que muitas pessoas passavam e queriam se inscrever em cursos de mecânica. “Com essa procura, percebi que havia a possibilidade de empreender. Procurei o Sebrae e fiz um plano de negócios. Como eu não tinha recursos para investir, vendi meu carro e peguei os R$ 20 mil da venda para comprar ferramentas. Também emprestei outros R$ 20 mil do meu pai para o restante do material necessário e me dediquei ao projeto”, conta a empreendedora.

A escola lotou. Porém, não havia espaço para as tão sonhadas aulas práticas. Foi então que Sandra teve a ideia de alugar dez vagas em um estacionamento próximo à sala, informalmente. “E tudo realmente começou assim, com uma turma de oito alunos pagantes, mais os meninos bolsistas. Sempre tive a consciência de que o curso não é o objetivo, mas, sim, proporcionar emprego e renda às pessoas. Sem crédito ou credibilidade, fui crescendo, mas sempre com o propósito de transformar, mudar a vida das pessoas por meio do curso de mecânica oferecido por valores acessíveis”, reforça.

Com o sucesso da primeira Escola do Mecânico, vieram outras duas próprias e, logo, a marca começou a ser procurada por interessados em franquias. Sandra Nalli enfrentou, então, um grande dilema: para quem ela deveria conceder sua marca? “Investir numa Escola do Mecânico não é barato, são R$ 300 mil. Temos ferramentas e equipamentos, além da necessidade de estrutura física, que necessitam deste valor. Porém, mais do que isso, eu desejava ter, na rede, pessoas que tivessem a mesma filosofia que eu, a de mudar vidas. E isso não é uma tarefa das mais fáceis”.

Com o passar dos anos – já são oito, desde a inauguração da primeira escola – , Sandra e sua equipe criaram mecanismos e ferramentas que permitiram que o sonho de empregar os alunos e alunas que passam pelo curso ficasse cada vez mais real.

Assim, o cunho social da marca se manteve, por meio de um aplicativo, o Emprega Mecânico, que liga o aluno a vagas de emprego disponíveis nas cidades nas quais há escolas.  Além disso, são desenvolvidos projetos sociais constantemente na rede, como o Adote um Mecânico, em que empresas e pessoas físicas são convidadas a patrocinar o acesso de estudantes carentes a cursos profissionalizantes; parcerias público-privadas, para fomento de projetos que levem conhecimento a pessoas carentes, entre outras oportunidades, sempre criadas para que a rede toda desempenhe seu papel social. “Dessa forma, só podemos ter, como franqueados, pessoas que tenham os mesmos valores que a franqueadora. Obviamente, o retorno do investimento é valorizado e ele vem dentro do prazo estipulado, nosso negócio é lucrativo. Porém, não visamos apenas ao lucro e temos um objetivo muito maior do que ver nossa rede crescer em faturamento e número de unidades: queremos pessoas capacitadas e empregadas. Essa é nossa meta real”, define Sandra.

Planos para 2025

A Escola do Mecânico já faz planos para 2025. 

Queremos ter 219 escolas, em 158 municípios. Essa meta pode não se concretizar até 2025, mas desejamos estar bem perto dela, lá. Trabalhamos duro para isso e sabemos que há chance de conseguirmos impactar a vida de muitas pessoas com nosso trabalho
Sandra Nalli 

Atualmente, a rede conta com 30 escolas, em Campinas (SP, com duas unidades); Salvador (BA); São Paulo (SP, com quatro unidades); Sorocaba (SP); Ribeirão Preto (SP); Sumaré (SP); Jundiaí (SP); Americana (SP); Santo André (SP); S. Bernardo do Campo (SP); Guarulhos (SP); Piracicaba (SP); Limeira (SP); Santos (SP); S. José do Rio Preto (SP); S. José dos Campos (SP); Curitiba (PR); Recife (PE); S. José (SC); Mogi Guaçu (SP); Mogi das Cruzes (SP); Hortolândia (SP); Osasco (SP); Uberlândia (MG) e Navegantes (RS).

A Escola do Mecânico também busca a excelência. Parcerias com marcas especializadas no setor automotivo, que podem aprimorar o conhecimento e oferecer melhores cursos e capacitações, faz parte do cotidiano da rede. Atualmente, a Escola do Mecânico oferece os cursos de Linha Leve, Linha Pesada e Motocicletas. A empresa possui um Centro de Capacitação Profissional com capacidade para atender 900 alunos.

Em Linha Leve, são oferecidos cursos de: Mecânica Automotiva Completa; Elétrica e Injeção Eletrônica; Motor Ciclo Otto e Transmissão Manual; Sistema de Rodagem, Suspensão e Freios; Instalação de Som e Acessórios Completo; Lubrificação e Troca de Óleo; Mecânica para Mulheres; Ar-condicionado Automotivo; Alinhamento de Direção 3D, Computadorizada e a Laser; Gestão de Negócios para o Segmento Automotivo; Consultor de Vendas Automotivas.

Em Linha Pesada, são oferecidos cursos de: Motor Ciclo Diesel; Eletricidade e Gerenciamento Diesel; Mecânica de Empilhadeira a Combustão e Princípios de Empilhadeira Elétrica.

Em Motocicletas, são oferecidos cursos de: Mecânico de Motocicletas Completo; Elétrica e Injeção Eletrônica de Motocicletas e Mecânico de Motocicletas Alta Cilindrada.

A cada ano, novos cursos são implantados, atendendo a necessidades do mercado, e mais pessoas conseguem emprego e geram renda. “Mudar vidas requer um esforço considerável, mas nós estamos no caminho certo. E, nos próximos anos, queremos impactar ainda mais pessoas, em outros pontos do País, porque o mercado é grande e há muita necessidade de mão de obra. Já temos alunos atuando até internacionalmente e sabemos que é possível conquistar espaço quando a Educação é o maior objetivo. Pessoas que pensam da mesma maneira são bem-vindas ao nosso convívio e empreendimento e, sem dúvida, teremos sucesso juntas”, finaliza a empreendedora.